Amy Winehouse ganha exposição em Amsterdã

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Amy Winehouse, 2003 © Charles Moriarty Photography
Amy Winehouse, 2003 © Charles Moriarty Photography

Semana passada foi a vez de eu conferir a exposição Amy Winehouse: A Family Portrait, no Joods Museum, o Museu de História Judaica, em Amsterdã.

Essa exposição, de curadoria do irmão da cantora, Alex Winehouse, em conjunto com o Museu Judaico de Londres, mostra um lado dela pouco conhecido: a Amy Winehouse antes da fama.

Ao contrário da exposição David Bowie Is, que era totalmente focada na figura pública e no legado artístico do Bowie, o que temos aqui é uma mostra bem mais pessoal e intimista. Ela aborda desde a chegada a Londres da família judia da Amy até o início da sua vida adulta e seus primeiros passos em direção à fama. Para isso, a família disponibilizou vários pertences pessoais da cantora, como fotos, objetos e peças de vestuário, acompanhados de comentários do seu irmão sobre as lembranças que eles trazem.

Amy na varanda do apartamento de sua avó © The Winehouse family
Amy na varanda do apartamento de sua avó © The Winehouse family

De Frank Sinatra a Clube do Mickey

Entretanto, o que me chamou a atenção logo de cara foi a ambientação sonora. Em vez de ouvir os sucessos da cantora durante a visita, a trilha escolhida vem de um mixtape feito pela própria Amy, ainda adolescente, com suas músicas preferidas para relaxar. O resultado é bem curioso: tem de Ella Fitzgerald e Frank Sinatra a Pearl Jam e The Offspring, passando pelo Clube do Mickey Mouse. Você pode ouvir a lista completa aqui:

O gosto literário da Amy também segue essa dualidade entre uma típica adolescente e alguém com um gosto mais refinado do que o esperado para a sua idade. Segundo Alex, ela era mais inteligente do que deixava transparecer. Ele cita, por exemplo, que ela deixava escondidos os livros de Nabokov e Dostoiévski, enquanto os romances de Jackie Collins ficavam expostos. Ela também era fã de Snoopy e colecionava seus livros, o que deixa mais uma vez evidente seu lado doce e ligado à infância.

Moda: de influenciada a referência

Outro lado que não poderia ser deixado de lado era a paixão da Amy Winehouse por moda. Ao ver as fotos de família, fica fácil identificar a influência da sua avó Cynthia, a quem a Amy era muito ligada, no seu estilo.

Só não espere ver as peças totalmente impecáveis em manequins sob medida: a cantora era um tanto quanto desleixada com suas roupas (quem nunca sentiu vontade de chorar na hora de passar roupa que atire a primeira pedra) e a família pediu que os itens fossem conservados exatamente como ela os deixou. Então lá estão as peças da cantora, penduradas e sem passar, do mesmo jeitinho que ela as mantinha em sua casa.

Instalação - Guarda-roupa © The Jewish Museum
Instalação – Guarda-roupa © The Jewish Museum

A exceção fica por conta do vestido Luella Bartley usado no festival Glastonbury em 2008, o único a ser colocado em um manequim – mesmo assim, sem jamais ter sido lavado após a apresentação.

Vestido Luella Bartley usado por Amy no Glastonbury 2008 © The Jewish Museum
Vestido Luella Bartley usado por Amy no Glastonbury 2008 © The Jewish Museum

O salto alto, que ajudava a disfarçar o 1,59m de altura da cantora, também não podia ficar de fora. Amy era louca por sapatos e tinha uma coleção de dar inveja à Carrie Bradshaw, com direito a itens de Yves Saint Laurent, Christian Louboutin, Fendi, Ferragamo e Miu Miu.

Mas, grifes à parte, mais uma vez meus olhos se voltam para uma peça com maior valor afetivo: o típico uniforme inglês dos tempos de escola que ela manteve guardado, mesmo após ter sido “convidada a se retirar” de duas escolas. Uma delas foi a disputadíssima escola teatral Sylvia Young, em que ela conseguiu entrar após escrever uma carta de apresentação onde fica claro o peso que sua família tem em sua vida e aonde ela pensava em chegar:

Eu quero que as pessoas escutem a minha voz e se esqueçam de seus problemas por cinco minutos. Eu quero ser lembrada por ser uma atriz, cantora, por shows com ingressos esgotados […] e por ser apenas… eu mesma.” - Amy Winehouse

A sensação que eu tive durante toda a exposição foi a de ter alguém que se sentou ao meu lado pra mostrar as fotos da irmã e contar as histórias por trás delas para mim. Acho que, justamente por ter sido contada por alguém tão íntimo dela, a sensação que eu tive foi bem mais acolhedora e feliz do que o que foi mostrado pelo documentário Amy – até porque ele é focado no auge da carreira e na tragédia que se seguiu. Já a coleção do Museu Judaico mostra uma jovem Amy ainda saudável, supermoleca e cheia de vida diante das lentes.

Amy em sua casa in Camden Town, 2004 © Mark Okoh, Camera Press London
Amy em sua casa em Camden Town, 2004 © Mark Okoh, Camera Press London

 

Dicas Holandesando

  • Não saia da exposição sem conferir a apresentação da Amy Winehouse no North Sea Jazz Festival, em Haia, no ano de 2004. Essa é considerada uma das melhores apresentações da artista e você não vai achar em lugar algum para assistir – no Youtube mesmo, só tem o áudio disponível. O show é exibido no auditório logo na saída da exposição, do lado direito, então tome cuidado para não passar batido!
  • Se não der tempo de ver tudo no mesmo dia, não tem problema: o ingresso tem validade de um mês, sendo que cada lugar pode ser visitado apenas uma vez.

Serviço:

Amy Winehouse: A Family Portrait
De 29 de fevereiro a 4 de setembro de 2016
Preços, ingressos online e horário de funcionamento: clique aqui
Joods Historisch Museum
Nieuwe Amstelstraat 1, 1011 PL Amsterdam
Mapa

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