Amsterdã: FOAM, o museu para apaixonados por fotografia

Fã de fotografia? Então você precisa conhecer o FOAM, nome que vem da abreviação de FOtografiemuseum AMsterdam. Localizado no tranqüilo Keizersgracht, o projeto arquitetônico é a junção três casas que foram interligadas por dentro para dar vida a esse museu de fotografia.

Exterior do FOAM, Museu de Fotografia de Amsterdã

Fachada do FOAM | Foam exterior 2006 © Maarten Brinkgreve

Essa junção acabou transformando o local numa espécie de labirinto que te leva a espaços com mostras bem diferentes uma da outra, o que casa perfeitamente com uma das principais características do museu: apostar em várias exposições temporárias ao mesmo tempo em detrimento do acervo permanente. Outro ponto interessante é que o FOAM aposta não só em nomes consagrados, mas também incentiva e dá espaço a novos talentos.

O museu comporta até 4 exposições temporárias e, por isso, tudo muda o tempo todo.  Quase toda semana tem uma novidade por lá. É como se o FOAM realmente dissesse para seus visitantes “volte sempre!”, o que é uma maravilha pra quem é apaixonado por fotografia!

Pra ilustrar um pouco o que é o FOAM, eu escolhi duas mostras que vi quando visitei lá:

Francesca Woodman – On Being an Angel 

Fotografia Francesca Woodman, Untitled. On Being An Angel, FOAM Amsterdã

Francesca Woodman, Untitled, 1977-1978 © Betty and George Woodman

A Francesca Woodman nasceu em meio a uma família de artistas e descobriu-se fotógrafa ainda aos 13 anos, quando ganhou de seus pais uma máquina fotográfica de presente.  Ela se coloca como tema de suas próprias fotografias, recorrendo ao autorretrato na maioria das vezes. Nas suas fotos predominam o preto-e-branco e o formato pequeno, buscando maior intimidade com o observador. Ela se expõe nas fotos optando muitas vezes pelo nu, ao mesmo tempo em que oculta o seu rosto. Nesse jogo de mostrar e esconder, sua fotografia chega a ganhar contornos surreais:

Fotografia Francesca Woodman, From Space. FOAM Amsterdam

Francesca Woodman, From Space, 1976 © Betty and George Woodman

Talvez o fato de passar pela adolescência em plenos anos 70, época em que as mulheres ganharam cada vez mais força e foram incentivadas a questionar mais, tenha contribuído indiretamente para que ela explorasse sua sexualidade, medos e conflitos através da fotografia.

Fotografia Francesca Woodman. FOAM Amsterdã

Francesca Woodman, Self-Deceit # 1, 1978 © Betty and George Woodman

Sua trajetória foi muito curta – Francesa Woodman sofria de depressão e suicidou-se aos 22 anos – e, olhando para seu trabalho, é como se víssemos uma tragédia anunciada.

A exposição ficou em cartaz de 18/12/2015 a 09/03/2016.

A segunda exposição que eu escolhi mostrar para vocês ainda está rolando e deixa nítida a proposta do FOAM de ser plural:

Jacques Henri Lartigue – Life in Colour

Fotografia Lartigue - FOAM Amsterdã

Les mains de Florette Brie le Néflier, 1961 Photographie J. H. Lartigue © Ministère de la Culture – France / AAJHL

Assim como Francesca Woodman, Lartigue demonstrou desde cedo interesse em fotografia, quando ganhou sua primeira câmera aos 7 anos (ainda em 1901)! Mas as coincidências terminam aí. Sua obra é muito mais contemplativa e tem um olhar até pueril sobre o seu cotidiano.

Fotografia Lartigue - FOAM Amsterdã

Bibi au Restaurant d’Eden Roc Cap d’Antibes, 1920 1965 Photographie J. H. Lartigue © Ministère de la Culture – France / AAJHL

Na verdade, Lartigue se interessava mesmo pelas artes plásticas. A fotografia foi, na maior parte de sua vida, somente um hobby. Apesar de ter sido “descoberto” como fotógrafo apenas aos 69 anos, ele ainda teve  bastante tempo para desfrutar desse sucesso, já que viveu até os 92. Como artista plástico, porém, ele não conseguiu o mesmo reconhecimento, sendo visto apenas como um pintor regular.

Apesar de ser muito conhecido pelo seu trabalho em preto-e-branco e imagens de aviões e carros em velocidade, a mostra do FOAM é focada em um lado um pouco menos conhecido: suas fotos coloridas, mais precisamente tiradas de seu próprio álbum pessoal. Há fotos feitas por ele ainda da década de 1910 já em cores. A técnica da época, chamada de autocromo, foi patenteada pelos irmãos Lumière e  comercializada a partir de 1907. Se não há tantos retratos coloridos dessa época, o motivo é simples: era absurdamente caro. Mas isso não era problema para o jovem Lartigue, filho de um banqueiro e de família pertencente à nata da sociedade francesa da época.

Sua condição privilegiada e sua longevidade fizeram com que seus registros fotográficos de cunho pessoal acabassem virando o registro do jet set de boa parte do século XX. Enquanto o mundo passava pela Primeira e Segunda Guerras Mundiais, por exemplo, suas fotos mostram amigos esquiando, divertindo-se e completamente alheios a tudo aquilo. Figuras como Pablo Picasso e Federico Fellini também aparecem em momentos de descontração em suas fotografias.

As fotos têm um colorido característico que lembra muito alguns famosos filtros de Instagram.

Fotografia Lartigue - FOAM Amsterdã

Florette. Vence, mai 1954. Photographie J. H. Lartigue © Ministère de la Culture – France /AAJHL

Lartigue influenciou outros artistas, como o cineasta Wes Anderson (indicado ao Oscar 2014 por O Grande Hotel Budapeste), fã declarado do fotógrafo. Por isso, no dia 19 de março, em parceria com o cinema Kriterion, serão apresentados dois filmes do cineasta onde as referências a Lartigue são mais evidentes: Rushmore e A Vida Marinha com Steve Zissou (curiosidade: “Zissou” era como Lartigue chamava o seu irmão), acompanhada de uma palestra da curadora do FOAM, Zippora Elders. Mais informação sobre esse evento você pode obter aqui.

A mostra Jacques Henri Lartigue – Life in Colour fica em cartaz até o dia 03/04/2016.

Minha dica:  às quintas-feiras o FOAM fica aberto até mais tarde e neste dia rola visita guiada, que deve ser agendada com antecedência neste link. E você não paga nada a mais por isso!  ;)

Serviço

FOAM
Keizersgracht 609 – Amsterdã
Horários e preços: http://www.foam.org/portugues
Mapa

 

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