Maastricht: conhecendo o carnaval holandês
Quem disse que carnaval na Holanda não existe? Existe, sim! Beeem diferente do carnaval brasileiro, é verdade, mas isso é só mais um motivo pra querer conhecer. E foi o que eu fiz em 2014. Juntei as amigas e fomos de trem até Maastricht, que fica na província de Limburg, no sul da Holanda, já na divisa com a Bélgica. Mapa
Se você quiser ir até lá, prepare-se, porque é uma viagenzinha, viu? Tudo bem que as distâncias na Holanda são curtas se compararmos com o Brasil, mas mesmo assim fazer um bate-volta de cerca de 2h30 só de ida não é brincadeira! Mas valeu a pena, porque a diversão já começou no próprio trajeto.
Carnaval na Holanda é uma viagem, e não um destino
Saímos de Arnhem, ainda norte do país e de maioria protestante. No norte não tem carnaval. Quer dizer, só agora que começa a ter uma festinha aqui e outra acolá, mas o negócio mesmo rola no sul do país, de maioria católica (já até falei um pouquinho sobre isso no Natal). Então os passageiros que encontramos em Arnhem nada mais são que os mesmos de sempre, com a cara amassada de sono, num trem no domingo de manhã. Também, pudera. Segunda eles voltam pro trabalho, enquanto no sul é feriado (acho que começo a entender a rivalidade entre norte e sul).
Mas tudo muda de figura ao chegarmos em Nijmegen 20 minutos depois, já considerada sul. Trocamos de trem e pegamos um stoptrein (ou o famoso “pinga-pinga”) lotado de universitários que poderiam muito bem curtir o carnaval em Nijmegen, mas que preferiram ver “the real thing” em Maastricht, assim como a gente. Então esqueça aquele povo de cara amassado que eu falei lá em cima e pense nesse outro trem como um grande ônibus de excursão cheio de estudante, porque foi isso que virou: uma grande bagunça! Eles se trocavam ali mesmo, um arrumava o cabelo do outro, fazia maquiagem… sobrou até pra gente ajudar!

Nada mal essa make de leão que a gente fez nele, né? #makedodia
Finalmente o trem chegou a Roermond e… bom, Roermond ainda não é Maastricht, então hora de a galera toda embarcar em mais um trem da bagunça até o destino final! Quanto mais gente embarcava nas estações seguintes, maior a bagunça ficava. O carnaval já era ali! Mas calma, ninguém estava cantando marchinha nem batucando o samba-enredo da Gaviões. Os holandeses ainda não chegaram nesse grau de tecnologia brasileira. =P
Ver aquela correria da galera me deu uma pontinha de arrependimento. E pensar que fiquei com medo de pagar de louca toda montada no trem! A verdade é que holandês é megadesencanado! Meu conselho na Holanda? Se jogue, seja você mesmo e seja feliz! Nenhum holandês vai te olhar feio, tirar sarro de você no meio da rua porque sua roupa ou cabelo é diferente do resto, nada disso. A ficha caiu quando já estávamos chegando a Maastricht. Foi quando coloquei a minha máscara e vi a galera reagindo com um “ooooooooh!!!” de admiração pra mim. Foi aí que eu percebi que tinha sido uma boba de não ter feito a make do David Bowie na capa de Aladdin Sane e optado pela versão em máscara.

“Freddie Mercury tá cantando Under Pressure com o Bowie / No meio da multidão…”
Até o maquinista já tava no clima e anunciou, todo animado e tocando o apito do trem diversas vezes, que já estávamos em Maastricht. Não sei se animado pelo carnaval em si ou por se ver livre da gente, rs, mas os estudantes todos responderam em clima de sinal da hora da saída.

CHEGAMOS EM MAASTRICHT, PESSOAL!
Chegamos, mas… cadê Maastricht?
A verdade é que nunca chegamos a Maastricht. No sábado de carnaval, o prefeito da cidade dá a chave ao Príncipe do Carnaval. Agora é ele quem toma conta da cidade, que passa a se chamar Mestreech (como se chama a cidade no dialeto local) e as cores da bandeira, vermelha e branca, dão lugar ao vermelho, amarelo e verde. Que lembram muito as cores das roupas de um bobo da corte, vocês não acham? Ok, também parece coisa de banda de reggae, mas acho que não era essa a intenção.
A coisa é levada a sério mesmo, com decoração por toda a cidade.

Claro que nem a estação de trem poderia escapar!
Agora sim, é hora do carnaval!
Saindo da estação, não tem erro: é só seguir reto até atravessar a ponte e logo você vai ver uma porção de gente esperando a parada passar. Começa a rolar já a partir das 10h30 mas a principal, no domingo, começa por volta das 13h30. Aqui tem um mapa com a rota que eles fazem (está em holandês, mas é simples: em pontilhado, a rota de domingo e em amarelo, a de segunda-feira). Em caso de dúvida, simplesmente siga o fluxo.
Claro que é impossível não fazer comparações entre o carnaval brasileiro e o holandês. As paradas aqui são bem mais simples, assim como os carros alegóricos e, em vez de escola de samba, é uma espécie de fanfarra que faz o acompanhamento. Vá com o intuito de ver algo diferente do que você conhece, porque se você tá esperando o desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro… bom, então vá ao Rio de Janeiro, senão você vai se decepcionar. A começar que estamos em pleno inverno, então mulher de fio dental é a última coisa que você vai ver por aqui. Engraçado que tinha uma romena com a gente e, quando eu falei disso, ela respondeu chocada com “Pensei que isso de desfilar de biquíni fosse lenda urbana. Então é verdade???”. Confirmei e torci pra ela nunca ouvir falar da Mulata Globeleza sambando só de glitter na televisão.
*silêncio constrangedor*
Mas voltando às fantasias daqui: principalmente entre os moradores da cidade, você vai ver fantasias muito bem elaboradas. A minha preferida foi o pregador de roupa gigante com a lavadeira dentro. Mas tem a turma do improviso também (principalmente entre os estudantes), então vale tudo. Como eu disse, o importante é se divertir!
Depois de ver a parada, seguimos para a praça principal da cidade, o Vrijthof. É o ponto de encontro da galera e onde vai ter música rolando, com direito a DJ e tudo. Você também pode perambular pelo centro e dar de cara com uma banda tocando desde até . Coloquei link para essas duas músicas porque você sempre vai ouvi-las não só em carnaval, mas também em eventos e estádios (só o refrão, claro. O la la la da marchinha me lembrou na hora de e é bem fácil de aprender, vai)!
E acredita que até samba rola? Um samba do holandês doido, mas olha só:
Lá pelas 6 da tarde já estávamos derrubadaças. Pelo jeito, não éramos as únicas. Voltamos no trem cheio de estudantes novamente, todos mais pra lá do que pra cá. E eu também, claro. Cheguei em casa com aquela cara de Seu Madruga de “Me acorde às 11 horas e me traga café na cama”. Mas às 11 horas da terça-feira, por favor!
Pra quem fica, um vídeo bem legal que eu encontrei com um resuminho do que você vai ver por lá:
Minha dica: vá de trem! É mais prático, barato e divertido. A companhia de trem NS colocou este ano tíquetes à venda para Maastricht por € 19,00 (ida e volta), com direito à batata-frita e um salgadinho grátis. E se você está indo com um grupo de 4 a 10 pessoas, uma boa pedida é comprar o tíquete em grupo. Os tíquetes podem sair de €13,75 a 7,00 por pessoa (também para ida e volta), dependendo do tamanho do grupo. Vale super a pena!
Confira a programação em Maastricht pro Carnaval 2016 (em inglês) aqui.










